Segundo turno

De 53,9 a 64,3 milhões: estudo mostra de onde podem ter vindo os votos que viraram a eleição para Lula

Lula ganhou 10.376.694 votos entre o 1º e o 2º turno — mais que os 9.316.747 votos de todos os candidatos eliminados. O estudo mostra onde ele cresceu e o que os dados do TSE permitem (e não permitem) concluir.

Por Agência Communicare Publicado em Atualizado em 14 min de leitura
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Retrato oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de terno escuro e faixa presidencial, diante da bandeira do Brasil
Retrato oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de terno escuro e faixa presidencial, diante da bandeira do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
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A resposta curta

Lula (PT) saiu de 53.879.538 votos no 1º turno, em 4 de outubro, para 64.256.232 no 2º, em 25 de outubro de 2026: um acréscimo de 10.376.694 votos, ou 19,3%. No mesmo intervalo, Flávio Bolsonaro (PL) passou de 56.104.503 para 59.826.041, ganho de 3.721.538 votos. Lula somou 73,6% de todo o crescimento líquido dos dois finalistas — e foi esse movimento que transformou uma desvantagem de 2.224.965 votos no 1º turno em vitória por 4.430.191.

Os dados oficiais do TSE permitem medir quanto cada candidato cresceu, onde cresceu e qual era o 'estoque' de votos disponível em cada estado. Eles não permitem afirmar quem votou em quem: o voto é secreto e a urna não liga o eleitor do 1º turno ao do 2º. Por isso, este estudo trabalha com contas fechadas, limites matemáticos e associações estatísticas entre estados — e diz explicitamente o que cada número autoriza ou não a concluir.

Este estudo da Agência Communicare para o Pacto pelo Serviço Público usa exclusivamente os arquivos oficiais de totalização por UF publicados pelo TSE · Resultados oficiais, também disponíveis no Portal de Dados Abertos do TSE. Para o placar final, leia a análise da margem final.

A conta que fecha: de onde podiam vir 14,1 milhões de votos

Entre os turnos, Lula e Flávio Bolsonaro cresceram juntos 14.098.232 votos. Essa soma tem exatamente três origens possíveis, e a conta oficial fecha sem resíduo: 9.316.747 votos dados no 1º turno aos dez candidatos eliminados; 2.960.239 eleitores a mais que compareceram no 2º turno; e 1.821.246 votos a menos em branco e nulo.

O maior reservatório era o dos eliminados. Augusto Cury (Avante) teve 3.448.569 votos; Renan Santos (Missão), 2.675.887; Ronaldo Caiado (PSD), 2.605.148; Zema (Novo), 326.488. Os outros seis candidatos somaram 260.655.

A conta é de saldos líquidos. Ela não exclui que eleitores tenham trocado de lado entre os finalistas, que parte de quem votou no 1º turno tenha faltado no 2º e vice-versa, nem que votos de eliminados tenham ido para branco ou nulo. O TSE registra apenas totais; os fluxos individuais não são observáveis.

A conta dos 14,1 milhões de votos entre os turnos
A conta dos 14,1 milhões de votos entre os turnos
ComponenteVotos% do crescimento
Votos dos 10 eliminados no 1º turno9.316.74766,1%
Comparecimento adicional2.960.23921,0%
Redução de brancos e nulos1.821.24612,9%
Total = crescimento dos finalistas14.098.232100%

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Votos dos candidatos eliminados no 1º turno, em milhões
  • Augusto Cury3,45 mi
  • Renan Santos2,68 mi
  • Ronaldo Caiado2,61 mi
  • Zema0,33 mi
  • Outros seis0,26 mi

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Votos no 1º turno de 2026, em milhões
  • Flávio Bolsonaro56,1 mi
  • Lula53,88 mi
  • Augusto Cury3,45 mi
  • Renan Santos2,68 mi
  • Ronaldo Caiado2,61 mi
  • Zema0,33 mi

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Eleitores em local de votação em dia de segundo turno
Eleitores em local de votação em dia de segundo turno. Foto: Senado Federal · CC BY 2.0

O dado mais forte: Lula cresceu mais do que todos os eliminados somados

O ganho de Lula, 10.376.694 votos, é maior que a soma de todos os votos dos dez candidatos eliminados (9.316.747). A diferença é de 1.059.947 votos. Isso significa que, mesmo na hipótese extrema — e irreal — de todos os eleitores dos eliminados terem votado em Lula, ele ainda precisaria de pelo menos 1.059.947 votos vindos de eleitores que não votaram no 1º turno, de quem trocou branco ou nulo por um candidato, ou de quem mudou de voto entre os finalistas.

Em outra direção, a conta também limita Flávio Bolsonaro: seu crescimento de 3.721.538 votos corresponde a 39,9% do estoque dos eliminados. Nenhum desses percentuais é uma 'taxa de transferência'; são proporções entre saldos oficiais.

A comparação com 2022 mostra a inversão. Naquele ano, segundo o TSE, Lula passou de 57.259.504 votos no 1º turno para 60.345.999 no 2º (+3.086.495), enquanto Jair Bolsonaro foi de 51.072.345 para 58.206.354 (+7.134.009). Em 2026, o candidato do PT cresceu 2,8 vezes mais que o adversário.

Crescimento entre os turnos, em milhões de votos
  • Lula (PT)10,38 mi
  • Flávio Bolsonaro (PL)3,72 mi
  • Estoque dos eliminados9,32 mi

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Crescimento entre os turnos: 2022 e 2026
Crescimento entre os turnos: 2022 e 2026
EleiçãoCandidato1º turno2º turnoGanho
2022Lula (PT)57.259.50460.345.999+3.086.495
2022Jair Bolsonaro (PL)51.072.34558.206.354+7.134.009
2026Lula (PT)53.879.53864.256.232+10.376.694
2026Flávio Bolsonaro (PL)56.104.50359.826.041+3.721.538

Fonte: TSE · Resultados oficiais, resultados de 2022 e 2026

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020
Urna eletrônica brasileira modelo UE2020. Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral · Public domain

Onde Lula cresceu: estado por estado

Em números absolutos, os maiores ganhos de Lula vieram dos maiores colégios: São Paulo (+2.613.861), Minas Gerais (+1.162.163), Rio de Janeiro (+872.372) e Bahia (+820.487). Em São Paulo, Lula cresceu mais do que o estoque de eliminados do estado, que era de 2.455.512 votos, graças também a 932.397 eleitores a mais nas urnas.

Em proporção, o cenário é mais revelador. Em 24 das 27 UFs, Lula ficou com mais da metade do crescimento líquido dos dois finalistas. Em Amazonas, Maranhão, Roraima, Acre, Amapá e Tocantins, Flávio Bolsonaro terminou o 2º turno com menos votos do que no 1º — nesses estados, o saldo do candidato do PL foi negativo.

No Maranhão, Flávio perdeu 9.069 votos enquanto Lula ganhou 241.930, mais que o estoque de eliminados (205.098), com comparecimento menor que no 1º turno. Já no Acre, no Amapá e em Roraima, a abstenção subiu entre os turnos e ambos os finalistas tiveram crescimento pequeno ou negativo — o que deixa o percentual de divisão do ganho instável e pouco informativo nesses casos.

Onde Flávio Bolsonaro mais se aproximou de dividir o crescimento foi no Sul e no Centro-Oeste: em Santa Catarina, Lula ficou com 57,0% do ganho líquido; em Goiás, estado de Ronaldo Caiado, com 57,5%; no Paraná, 59,7%. Ainda assim, Lula cresceu mais que o adversário em todas as 21 UFs em que ambos ampliaram a votação.

Crescimento de cada finalista por UF entre os turnos
Crescimento de cada finalista por UF entre os turnos
UFGanho de LulaGanho de FlávioEstoque dos eliminadosFatia de Lula no ganho
São Paulo2.613.861+1.217.1552.455.51268,2%
Minas Gerais1.162.163+464.2381.009.75171,5%
Rio de Janeiro872.372+202.189709.83581,2%
Bahia820.487+166.176452.93583,2%
Pernambuco563.542+94.511309.00385,6%
Rio Grande do Sul529.793+300.595554.50463,8%
Paraná511.907+346.099585.30159,7%
Ceará480.861+62.628305.70188,5%
Goiás396.675+293.446587.05557,5%
Santa Catarina291.146+220.051373.70957,0%
Pará263.212+35.983271.97888,0%
Paraíba252.932+33.833141.24388,2%
Maranhão241.930-9.069205.098Flávio perdeu votos
Rio Grande do Norte175.633+16.916113.44291,2%
Alagoas157.162+8.42287.67994,9%
Espírito Santo151.937+61.310167.85671,2%
Distrito Federal149.597+69.926187.56568,1%
Sergipe133.022+15.51590.33889,6%
Piauí130.279+8.831105.65693,7%
Mato Grosso112.486+52.518113.02668,2%
Mato Grosso do Sul112.118+54.541100.07267,3%
Amazonas98.787-1.519147.003Flávio perdeu votos
Rondônia43.779+21.39464.40467,2%
Tocantins38.953-1.40557.117Flávio perdeu votos
Amapá10.465-13.60440.077Flávio perdeu votos
Acre9.743-15.09231.489Flávio perdeu votos
Roraima9.085-11.64719.803Flávio perdeu votos

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Mapa municipal do 1º turno de 2026: em vermelho, municípios em que Lula liderou; em azul, os de Flávio Bolsonaro
Mapa municipal do 1º turno de 2026: em vermelho, municípios em que Lula liderou; em azul, os de Flávio Bolsonaro. Foto: Pedro H Pertel · CC0

As cinco regiões: o crescimento foi nacional

No Sudeste, Lula ganhou 4.800.333 votos e Flávio, 1.944.892: é a região que mais contribuiu para o aumento absoluto do petista. No Nordeste, Lula cresceu 2.955.848 contra 397.763 do adversário. No Sul, 1.332.846 contra 866.745; no Centro-Oeste, 770.876 contra 470.431; no Norte, 474.024 contra 14.110.

O dado contraria a leitura de que a virada foi apenas nordestina. O Nordeste respondeu por 28,5% do crescimento de Lula; Sudeste e Sul, juntos, por 59,1%. O Nordeste, porém, foi onde Lula captou a maior fatia do ganho regional: 88,1%.

Ganho de Lula por região, em milhões de votos
  • Norte0,47 mi
  • Nordeste2,96 mi
  • Centro-Oeste0,77 mi
  • Sudeste4,8 mi
  • Sul1,33 mi

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Crescimento dos finalistas por região
Crescimento dos finalistas por região
RegiãoLulaFlávioEliminados (1º turno)Comparecimento adicional
Norte+474.02414.110631.871-237.883
Nordeste+2.955.848397.7631.811.095826.761
Centro-Oeste+770.876470.431987.718199.018
Sudeste+4.800.3331.944.8924.342.9541.613.905
Sul+1.332.846866.7451.513.514518.761

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

O que os votos dos eliminados indicam — e o que não indicam

Para testar associações, o estudo comparou, nas 27 UFs, a fatia de Lula no crescimento líquido com o peso de cada eliminado no 1º turno. A correlação com a votação de Augusto Cury foi de -0,34: onde Cury teve mais votos, Lula tendeu a ficar com uma parcela menor do crescimento. A correlação com a soma de todos os eliminados foi de -0,08, praticamente nula, e com o próprio desempenho de Lula no 1º turno foi de 0,37.

Em termos simples: o crescimento de Lula não acompanhou de forma clara o tamanho do estoque de eliminados em cada estado. Ele foi relativamente maior onde o petista já era forte, e relativamente menor onde Cury e, em menor grau, Renan Santos tiveram votações mais altas.

Isso não prova que eleitores de Cury votaram em Flávio, nem que eleitores de qualquer outro candidato votaram em Lula. Correlações entre estados descrevem territórios, não pessoas — o erro de tirar conclusões individuais de dados agregados é conhecido como falácia ecológica. Para fluxos individuais, seriam necessárias pesquisas com painel de eleitores, que não fazem parte desta base oficial.

Correlação entre UFs com a fatia de Lula no crescimento
Correlação entre UFs com a fatia de Lula no crescimento
Variável do 1º turno (% dos válidos)Correlação (27 UFs)Leitura
Votação de Lula0,37Positiva moderada
Votação de Augusto Cury-0,34Negativa moderada
Soma dos eliminados-0,08Praticamente nula

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções); cálculo do Pacto

Um modelo simples, com seus limites

Para medir o peso conjunto das três fontes possíveis, o estudo estimou uma regressão linear entre as 27 UFs, em que a variável explicada é o ganho de Lula como proporção do eleitorado e as explicativas são, também em proporção do eleitorado, os votos dos eliminados, a variação do comparecimento e a redução de brancos e nulos. O modelo explica 91,2% da variação entre estados (R² = 0,91).

Os coeficientes estimados foram 0,36 para os votos dos eliminados, 0,45 para o comparecimento adicional e 1,03 para a redução de brancos e nulos, com constante de 2,4 ponto percentual do eleitorado. A constante positiva indica que Lula cresceu, em todos os estados, além do que essas três variáveis explicam sozinhas — compatível com mudanças de voto entre os finalistas ou com a renovação de quem comparece, que os totais não distinguem.

Com apenas 27 observações e variáveis correlacionadas entre si, os coeficientes têm incerteza alta e não devem ser lidos como percentuais de transferência. O modelo serve para indicar a direção e a escala das associações, não para atribuir votos. Os dados e o cálculo são reproduzíveis a partir dos arquivos públicos do TSE.

Como o estudo foi feito
  1. 01

    1. Dados

    Arquivos oficiais de totalização por UF do 1º e do 2º turno, publicados pelo TSE; a linha nacional não é somada às UFs.

  2. 02

    2. Conta de saldos

    Crescimento dos finalistas decomposto em eliminados, comparecimento e brancos/nulos; a identidade fecha sem resíduo.

  3. 03

    3. Limites

    Comparação do ganho de cada finalista com o estoque máximo disponível.

  4. 04

    4. Associações

    Correlações e regressão linear entre as 27 UFs, em proporção do eleitorado.

  5. 05

    5. Ressalvas

    Nenhuma conclusão sobre voto individual; dados agregados não revelam fluxos de eleitores.

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

O papel de quem voltou às urnas

O comparecimento cresceu 2.960.239 eleitores no país. Os maiores acréscimos ocorreram em São Paulo (+932.397), Minas Gerais (+406.929) e Bahia (+368.446), três estados em que Lula também registrou grandes ganhos absolutos. Em 9 UFs, o comparecimento caiu, a maioria no Norte.

Somados, comparecimento adicional e redução de brancos e nulos representam 4.781.485 votos válidos a mais — 33,9% do crescimento dos finalistas. É um volume suficiente para pesar no resultado, mas os dados não indicam se esses eleitores são os mesmos que faltaram no 1º turno ou outros. Detalhes por estado estão em nossa análise do comparecimento.

Mesários e eleitora em seção eleitoral
Mesários e eleitora em seção eleitoral. Foto: Senado Federal · CC BY 2.0

Os quatro maiores eliminados, um a um

Augusto Cury (Avante) teve 3.448.569 votos no 1º turno, 2,89% dos válidos. Os maiores percentuais foram em Amapá (4,10%), São Paulo (3,59%) e Amazonas (3,57%); em votos absolutos, São Paulo (892.368), Minas Gerais (409.737) e Rio de Janeiro (247.397). Nesses três estados de maior percentual, Lula ficou com todo o saldo (Flávio perdeu votos), 68,2%, todo o saldo (Flávio perdeu votos) do crescimento líquido dos finalistas, contra 73,6% no país.

Renan Santos (Missão) teve 2.675.887 votos no 1º turno, 2,24% dos válidos. Os maiores percentuais foram em São Paulo (3,23%), Santa Catarina (2,95%) e Paraná (2,69%); em votos absolutos, São Paulo (804.310), Minas Gerais (247.209) e Rio de Janeiro (211.843). Nesses três estados de maior percentual, Lula ficou com 68,2%, 57,0%, 59,7% do crescimento líquido dos finalistas, contra 73,6% no país.

Ronaldo Caiado (PSD) teve 2.605.148 votos no 1º turno, 2,18% dos válidos. Os maiores percentuais foram em Goiás (12,33%), Distrito Federal (4,80%) e Paraná (2,60%); em votos absolutos, São Paulo (579.571), Goiás (472.041) e Minas Gerais (230.423). Nesses três estados de maior percentual, Lula ficou com 57,5%, 68,1%, 59,7% do crescimento líquido dos finalistas, contra 73,6% no país.

Zema (Novo) teve 326.488 votos no 1º turno, 0,27% dos válidos. Os maiores percentuais foram em Minas Gerais (0,82%), São Paulo (0,38%) e Santa Catarina (0,37%); em votos absolutos, Minas Gerais (98.407), São Paulo (94.635) e Rio de Janeiro (21.907). Nesses três estados de maior percentual, Lula ficou com 71,5%, 68,2%, 57,0% do crescimento líquido dos finalistas, contra 73,6% no país.

Juntos, os quatro concentraram 97,2% do estoque dos eliminados. As fichas de candidatura estão no DivulgaCandContas, do TSE.

Votos dos quatro maiores eliminados por UF no 1º turno
Votos dos quatro maiores eliminados por UF no 1º turno
UFCuryRenan SantosCaiadoZemaFatia de Lula no ganho
Acre13.5237.9808.594573Flávio perdeu votos
Alagoas42.42726.85114.1981.16894,9%
Amapá19.05711.3428.304341Flávio perdeu votos
Amazonas77.53135.41128.3101.781Flávio perdeu votos
Bahia195.451117.518122.7056.49783,2%
Ceará140.524107.58745.6044.31088,5%
Distrito Federal45.97946.71485.0764.91568,1%
Espírito Santo65.12153.23639.0975.87371,2%
Goiás53.84954.105472.0412.67257,5%
Maranhão84.83060.38750.1554.584Flávio perdeu votos
Mato Grosso40.01933.17033.0792.42468,2%
Mato Grosso do Sul39.14831.84723.2912.79267,3%
Minas Gerais409.737247.209230.42398.40771,5%
Paraná205.095177.434171.29417.17259,7%
Paraíba73.83142.24719.5111.98888,2%
Pará125.17284.16551.9913.06488,0%
Pernambuco137.96085.86573.1766.06085,6%
Piauí47.69232.27421.6291.35793,7%
Rio Grande do Norte57.36735.26116.4071.52591,2%
Rio Grande do Sul195.296167.558158.82118.98863,8%
Rio de Janeiro247.397211.843199.84421.90781,2%
Rondônia25.28019.18716.9291.31867,2%
Roraima8.5796.6233.639337Flávio perdeu votos
Santa Catarina134.273132.79579.91116.71857,0%
Sergipe38.89521.40526.6511.15889,6%
São Paulo892.368804.310579.57194.63568,2%
Tocantins22.43412.98320.189595Flávio perdeu votos

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Retrato de Augusto Cury (Avante), escritor e candidato à Presidência, sorrindo de terno escuro
Augusto Cury (Avante), escritor e psiquiatra, em retrato de terno escuro. Ele recebeu 3.448.569 votos no 1º turno. Foto: Lima Andruška from Rio de Janeiro, Brazil · CC BY-SA 2.0
Retrato de Renan Santos (Missão), candidato à Presidência, em fundo neutro
Renan Santos (Missão), fundador do MBL, em retrato. Ele recebeu 2.675.887 votos no 1º turno. Foto: Joao.maestro2023 · CC BY-SA 4.0
Retrato de Ronaldo Caiado (PSD), de terno e gravata
Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, em retrato de terno e gravata. Ele recebeu 2.605.148 votos no 1º turno. Foto: Flickr (via Wikimedia Commons) · CC BY 2.0
Retrato de Romeu Zema (Novo), de camisa social, em 2025
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, em retrato de 2025. Ele recebeu 326.488 votos no 1º turno. Foto: Governo do Estado de São Paulo · CC BY 4.0

Estados agrupados: o que muda quando Cury pesa mais

Para reduzir o ruído de estados pequenos, o estudo dividiu as 21 UFs em que os dois finalistas cresceram em três grupos de mesmo tamanho, segundo o percentual de Augusto Cury no 1º turno, e somou os ganhos de cada grupo: menor peso de cury (GO, MT, PI, BA, AL, PE, CE): Lula com 79,5% do crescimento; peso intermediário (PA, DF, RO, MS, RJ, RN, SE): Lula com 80,8% do crescimento; maior peso de cury (ES, PB, SC, RS, PR, MG, SP): Lula com 67,6% do crescimento.

A diferença entre os grupos confirma, com votos somados e não médias de percentuais, a associação negativa indicada pela correlação. Continua valendo a ressalva: o padrão descreve estados, e não permite dizer como votou o eleitor de Cury.

No mesmo exercício com a variação do comparecimento, os grupos ficaram assim: comparecimento caiu ou subiu pouco (PA, RO, PI, AL, MT, GO, SE): Lula com 73,9%; alta intermediária (DF, CE, RJ, PB, ES, SC, RS): Lula com 74,2%; maior alta (RN, MG, PR, MS, SP, PE, BA): Lula com 71,6%. Onde mais gente voltou às urnas, a fatia de Lula não foi sistematicamente maior — o efeito do comparecimento aparece no volume absoluto, não na divisão do ganho.

Fatia de Lula no crescimento, por grupo de estados segundo o peso de Cury
  • Menor peso de Cury79,5 %
  • Peso intermediário80,8 %
  • Maior peso de Cury67,6 %

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções); cálculo do Pacto

Fatia de Lula no crescimento, por grupo de estados segundo a variação do comparecimento
  • Comparecimento caiu ou subiu pouco73,9 %
  • Alta intermediária74,2 %
  • Maior alta71,6 %

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções); cálculo do Pacto

Os seis estados em que Flávio terminou menor

Em Amazonas (-1.519), Maranhão (-9.069), Roraima (-11.647), Acre (-15.092), Amapá (-13.604), Tocantins (-1.405), Flávio Bolsonaro teve menos votos no 2º turno do que no 1º. Cinco deles estão no Norte, e o sexto é o Maranhão.

Nesses estados, o comparecimento também caiu: Amazonas -42.490, Maranhão -32.572, Roraima -24.175, Acre -34.676, Amapá -46.587, Tocantins -10.433. A combinação de menos eleitores nas urnas com perda do candidato do PL mostra que a abstenção não se distribuiu igualmente entre os eleitorados dos dois lados — ou que houve mudança de voto —, mas os totais oficiais não permitem separar os dois efeitos.

Os arquivos oficiais de cada estado podem ser conferidos diretamente no TSE, por exemplo os do Maranhão, do Amazonas e de Roraima.

Estados em que Flávio Bolsonaro perdeu votos entre os turnos
Estados em que Flávio Bolsonaro perdeu votos entre os turnos
UFFlávioLulaVariação do comparecimento
Amazonas-1.519+98.787-42.490
Maranhão-9.069+241.930-32.572
Roraima-11.647+9.085-24.175
Acre-15.092+9.743-34.676
Amapá-13.604+10.465-46.587
Tocantins-1.405+38.953-10.433

Fonte: TSE · Resultados oficiais: resultado definitivo do 1º turno (04/10/2026) e arquivos de totalização do 2º turno (25/10/2026, 23h27, 100% das seções)

Por que o estudo importa para o serviço público

Um presidente reeleito com crescimento amplo entre os turnos chega ao mandato 2027–2030 com uma base heterogênea: parte relevante dos votos que decidiram a eleição não estava com ele no 1º turno. Para servidores públicos, isso significa que pautas como carreiras, concursos e recomposição de quadros vão disputar espaço com compromissos assumidos para atrair eleitores de outras candidaturas.

O Pacto pelo Serviço Público, projeto apartidário da Communicare, vai acompanhar essas promessas com a mesma régua usada neste estudo: dados oficiais, datados e com fonte. Os compromissos estão reunidos no acompanhamento do mandato, e o Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea oferece a base de referência sobre a força de trabalho do setor público.

Fachada do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República
Fachada do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República. Foto: Senado Federal · CC BY 2.0

Glossário do estudo

Crescimento líquido: diferença entre os votos do candidato no 2º e no 1º turno; é um saldo, não um fluxo de eleitores.

Estoque dos eliminados: soma dos votos, no 1º turno, dos candidatos que não foram ao 2º turno.

Correlação: medida de −1 a 1 de quanto duas variáveis variam juntas entre os estados; não indica causa.

Regressão: modelo que estima a associação conjunta de várias variáveis com o resultado; com 27 observações, os coeficientes são imprecisos.

Falácia ecológica: erro de atribuir a indivíduos um padrão observado em agregados territoriais.

Fontes e reprodutibilidade

Resultado nacional do 2º turno: arquivo oficial do TSE gerado em 25/10/2026 23:27:02. Exterior: arquivo da zona ZZ. Estados: arquivos individuais, como os de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. 1º turno: resultado definitivo de 5 de outubro de 2026, no TSE · Resultados oficiais.

Microdados, boletins de urna e o perfil do eleitorado estão no Portal de Dados Abertos do TSE. A regra da maioria absoluta dos válidos é a do artigo 77 da Constituição Federal; o voto obrigatório e facultativo, do artigo 14.

Toda a série usa as mesmas bases. Para os indicadores de participação, ver brancos, nulos e abstenção e comparecimento; para o desenho territorial do resultado, a margem final por estado; para a noite da apuração, a linha do tempo da vitória matemática e a pausa da totalização.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Foto: O Tribunal da Democracia · Public domain

Para continuar a leitura

Série pós-eleição: a margem final de Lula comparada a 2022; a linha do tempo da vitória matemática; brancos, nulos e abstenção; e o voto do exterior.

Cobertura da apuração: matéria sobre a eleição de Lula; reportagem sobre os governadores eleitos; e o painel de resultados do 2º turno, com resultados por estado e município.

Fontes primárias: TSE · Resultados oficiais; Portal de Dados Abertos do TSE; regras do 2º turno no artigo 77 da Constituição Federal.

Perguntas frequentes

01

Quantos votos Lula ganhou do 1º para o 2º turno de 2026?

10.376.694 votos: passou de 53.879.538 em 4 de outubro para 64.256.232 em 25 de outubro, segundo o TSE. Flávio Bolsonaro ganhou 3.721.538.

02

Os votos de Augusto Cury, Renan Santos e Caiado foram para Lula?

Os dados do TSE não permitem saber. O voto é secreto e os totais não ligam eleitores entre os turnos. O estudo mostra apenas que o crescimento de Lula foi relativamente menor nos estados onde Cury teve mais votos.

03

Lula cresceu mais do que os votos de todos os eliminados?

Sim. O ganho de Lula (10.376.694) supera em 1.059.947 a soma dos votos dos dez eliminados (9.316.747). Parte do crescimento veio necessariamente de comparecimento adicional, de menos brancos e nulos ou de mudança de voto entre os finalistas.

04

Em que estados Flávio Bolsonaro perdeu votos no 2º turno?

Em Amazonas, Maranhão, Roraima, Acre, Amapá, Tocantins, Flávio terminou o 2º turno com menos votos que no 1º, segundo os arquivos oficiais.

05

A virada foi decidida só no Nordeste?

Não. O Nordeste respondeu por 28,5% do crescimento de Lula; Sudeste e Sul somaram 59,1%.

06

Qual a diferença em relação a 2022?

Em 2022, Jair Bolsonaro cresceu mais entre os turnos (+7.134.009) que Lula (+3.086.495). Em 2026, a relação se inverteu: Lula cresceu cerca de 2,8 vezes mais que Flávio Bolsonaro.

07

Onde Augusto Cury teve mais votos e o que aconteceu lá?

Nos estados em que Cury teve maior peso no 1º turno, Lula ficou com uma fatia menor do crescimento dos finalistas do que no país, mas isso não identifica o voto dos eleitores de Cury.

08

Onde conferir os números deste estudo?

Nos arquivos oficiais de totalização do TSE, por estado e nacional, em resultados.tse.jus.br, e nos microdados do Portal de Dados Abertos do TSE.

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