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A bancada do serviço público: quem são os 16 eleitos que assinaram a Carta-Compromisso

Dezesseis das 57 candidaturas signatárias foram eleitas em 4 de outubro. Quem são, por estado e partido, quantos votos receberam e o que prometeram aos servidores.

Por Agência CommunicarePublicado em 9 min de leitura

Atualização editorial: (Brasília). Resultados oficiais do TSE do 1º turno, arquivo gerado em 05/10/2026.

Edifício do Congresso Nacional em Brasília, com as cúpulas da Câmara e do Senado
Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Dária Baísa / Wikimedia Commons — CC BY 2.0.

Reportagem e análise · Agência Communicare

Nesta matéria

Dezesseis candidaturas que assinaram a [Carta-Compromisso com o Serviço Público](https://pactopublico.org/carta-compromisso) foram eleitas em 4 de outubro de 2026. São seis deputados federais e dez deputados estaduais, distribuídos por seis estados. Juntos, receberam 1.929.340 votos nominais no primeiro turno, de acordo com os arquivos oficiais de votação do Tribunal Superior Eleitoral, gerados em 5 de outubro.

O número representa 28% das 57 candidaturas signatárias. É um grupo pequeno diante do tamanho dos parlamentos, mas é o primeiro conjunto de mandatos que assumiu publicamente, por escrito e antes da votação, compromissos específicos com a estabilidade, os concursos, a negociação salarial e os aposentados do serviço público. Esta reportagem da Agência Communicare mostra quem são, onde foram eleitos, como votaram os eleitores e o que a Carta permite cobrar a partir de 2027.

Quem são os 16 eleitos defensores do servidor público

A lista abaixo ordena os eleitos pela votação nominal. A mais votada foi Paula da Bancada Feminista (PSOL-SP), eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo com 326.190 votos. Entre os federais, a maior votação foi de Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com 280.262 votos, seguida por Rogério Correia (PT-MG), com 185.912.

Treze eleitos alcançaram a vaga pelo quociente partidário e três pela média, a distribuição das sobras. A diferença é técnica: ambos os caminhos dão mandato pleno. Cada nome abaixo leva ao perfil da candidatura no site do Pacto, com o resultado oficial e as redes informadas.

Tabela: os 16 eleitos que assinaram a Carta-Compromisso, do mais ao menos votado
Nome, foto, partido, cargo, estado e votos nominais no 1º turno de 2026 dos 16 eleitos signatários
#EleitoPartidoCargoUFVotos
01PSOLDeputado estadualSP326.190
02PSOLDeputado federalRS280.262
03PTDeputado federalMG185.912
04PTDeputado estadualMG157.301
05PTDeputado federalMG144.496
06PTDeputado federalSP109.548
07PTDeputado federalMG98.750
08PTDeputado federalMG86.923
09PTDeputado estadualMG85.316
10PTDeputado estadualGO81.540
11PTDeputado estadualMG76.126
12PTDeputado estadualRJ66.167
13PTDeputado estadualMG61.835
14PTDeputado estadualMG61.271
15PTDeputado estadualMG59.499
16PTDeputado estadualSC48.204

Votos nominais oficiais do 1º turno (TSE). Fotos do cadastro do Pacto. Votações para Câmara e Assembleias têm eleitorados e quocientes diferentes: os números não medem força relativa entre estados.

Fachada da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte: o estado concentra 10 dos 16 eleitos. Foto: Paulo JC Nogueira · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

O mapa da bancada

Minas Gerais reúne 10 dos 16 eleitos: quatro deputados federais — Ana Pimentel, Bella Gonçalves, Padre João e Rogério Correia — e seis estaduais — Adriana Souza, Ana Paula Siqueira, Andreia de Jesus, Betão, Leleco Pimentel e Macaé Evaristo. O estado também concentrou 37 das 57 candidaturas signatárias, o que acompanha a presença das entidades fundadoras do Pacto.

Fora de Minas, São Paulo elegeu dois signatários: João Paulo, para a Câmara, e Paula da Bancada Feminista, para a Assembleia. Rio Grande do Sul elegeu Fernanda Melchionna para a Câmara. Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina elegeram um deputado estadual cada: Fabrício Rosa, Marina do MST e Jean Volpato.

A concentração geográfica tem consequência prática. Na Assembleia de Minas, seis cadeiras representam 7,8% das 77 vagas, peso relevante para votações sobre carreiras e previdência estaduais. Nos demais estados, os eleitos atuarão como mandatos isolados, sem bancada própria do Pacto no mesmo plenário.

Onde estão os 16 eleitos

Eleitos por unidade da Federação · deputados federais e estaduais

  • MG
    10
  • SP
    2
  • GO
    1
  • RS
    1
  • SC
    1
  • RJ
    1

Fonte: TSE, votação por município e zona, 1º turno de 2026, cruzada com a lista de signatários da Carta-Compromisso.

Partidos e cargos: o perfil do grupo

Catorze eleitos são do PT e dois do PSOL. A Carta-Compromisso foi aberta a candidaturas de qualquer partido, e o Pacto não condicionou a adesão a legenda. Entre as 57 signatárias havia também nomes de PDT, PSB, PV, Rede, Podemos, Avante, Solidariedade e PCB, mas nenhum deles se elegeu.

A composição deve ser lida com cuidado. Ela não mede a disposição dos partidos em relação ao serviço público, e sim o cruzamento entre quem decidiu assinar e quem obteve votos suficientes. O dado relevante para o leitor é outro: os compromissos assumidos são individuais, e cada mandato responde por eles independentemente da orientação de sua bancada partidária.

O perfil da bancada

Por cargo

6 federais
10 estaduais

Por partido

  • PT
    14
  • PSOL
    2

A concentração partidária reflete quem assinou e quem se elegeu; a Carta foi aberta a candidaturas de qualquer partido. Partido conforme registro de candidatura.

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão deliberativa
Plenário da Câmara em sessão de maio de 2026: PECs precisam de dois turnos de votação nas duas Casas. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons

Os votos por trás da bancada

As 57 candidaturas signatárias receberam 5.720.098 votos nominais no primeiro turno. Os 16 eleitos responderam por 1.929.340, ou 33,7% desse total. Os demais votos foram para candidaturas que ficaram como suplentes ou não foram eleitas, entre elas as duas disputas ao Senado: Áurea Carolina (PSOL-MG), com 2.664.763 votos, e Afrânio Boppré (PSOL-SC), com 657.451.

Esses números não são comparáveis entre si sem contexto. Uma vaga de deputado estadual em São Paulo exige uma votação muito diferente de uma vaga em Goiás, e o quociente depende do desempenho de todo o partido ou federação. Votação alta não significa mandato mais forte, e votação menor não significa representação menor.

O que prometeram: a Carta-Compromisso

A Carta-Compromisso tem seis blocos de premissas. O mais específico trata dos direitos dos servidores: lutar contra projetos de reforma administrativa que tenham por objetivo retirar a estabilidade e permitir perseguição política; atuar pela recomposição das perdas inflacionárias e pela instituição de mesas permanentes de negociação; defender o provimento de cargos exclusivamente por concurso e o exercício de cargos em comissão por servidores efetivos.

Para aposentados e pensionistas, os signatários se comprometeram com a paridade entre ativos, aposentados e pensionistas e com a aprovação da PEC 6/2024. A Carta inclui ainda defesa da saúde e da educação públicas, da Previdência pública, da liberdade sindical e do direito de greve, além de premissas sobre sistema tributário e orçamento.

O documento é um compromisso público, não um contrato com efeito jurídico. Seu valor está na verificação: cada voto nominal, projeto apresentado e posição em comissão poderá ser comparado com o que foi assinado. Leia também a reportagem Reforma administrativa: o que muda de verdade para entender quais propostas estão em tramitação.

O que os signatários prometeram: seis eixos da Carta
01

Estabilidade

Contra reformas que retirem a estabilidade ou permitam perseguição política

02

Salários

Recomposição inflacionária e mesas permanentes de negociação

03

Concurso

Provimento por concurso e cargos em comissão para efetivos

04

Aposentados

Paridade entre ativos, aposentados e pensionistas; PEC 6/2024

05

Serviços

Saúde e educação públicas, Previdência pública

06

Organização

Liberdade sindical e direito de greve

Síntese editorial. Leia a íntegra da Carta-Compromisso. Assinatura é compromisso público, não voto registrado.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa em 2025
Plenário do Senado em sessão de março de 2025: PECs sobre servidores dependem das duas Casas. Foto: Agência Senado · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Análise: o que uma bancada de 16 pode e não pode fazer

Na Câmara, seis votos não decidem uma emenda constitucional. Uma PEC precisa de 308 votos em dois turnos; as seis cadeiras representam 1,2% das 513. O peso do grupo estará menos no placar e mais na capacidade de apresentar emendas, pedir destaques, ocupar relatorias, articular frentes parlamentares e dar visibilidade a votações que afetam servidores.

Nas Assembleias, o cenário muda conforme o estado. Em Minas Gerais, onde a bancada tem seis estaduais, o grupo pode influir em pautas de carreira, reajuste e previdência do funcionalismo estadual, que são definidas por leis do próprio estado. Nos demais, a atuação será individual.

Na avaliação do Pacto, o principal ganho da Carta é transformar declarações genéricas de apoio ao serviço público em itens verificáveis. O risco é o oposto: compromissos amplos, como "valorização", podem ser cumpridos no discurso e esvaziados nos detalhes. Por isso, a métrica proposta é o voto registrado, e não a declaração.

Como acompanhar os mandatos

Os mandatos começam em fevereiro de 2027. Para os seis federais, votações nominais, projetos e discursos ficam disponíveis nos dados abertos da Câmara dos Deputados. Para os estaduais, cada Assembleia mantém portal próprio de transparência, com níveis diferentes de detalhamento.

O Pacto pretende acompanhar, no mínimo, votações sobre reforma administrativa, regras de concurso, reajustes, negociação coletiva e previdência dos servidores. Jornalistas e entidades podem usar a lista de eleitos desta reportagem como base para pedir posições individuais antes de votações relevantes.

Eleitora deixa a cabine de votação em seção eleitoral no Ceará
Eleitora deixa a cabine em seção eleitoral de Guaraciaba do Norte (CE), nas eleições de 2020. Foto: Senado Federal · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

O Pacto e as entidades

O Pacto pelo Serviço Público reúne entidades representativas de servidores e candidaturas que assinaram a Carta-Compromisso nas eleições de 2026. A iniciativa não pede voto, não arrecada recursos para campanhas e publica os critérios de suas análises. Idealização, análise, metodologia e desenvolvimento são da Agência Communicare.

No segundo turno, marcado para 25 de outubro, o Pacto publica um comparativo em 16 temas entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), com fontes oficiais e notas editoriais de 0 a 100.

Esplanada dos Ministérios em Brasília
Esplanada dos Ministérios, sede da administração federal, onde está a maior parte dos órgãos do Executivo. Foto: Agência Senado · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Como esta reportagem foi apurada

Os resultados vêm dos arquivos de votação por município e zona do TSE, primeiro turno de 2026, gerados em 5 de outubro às 10h14. Somamos apenas os arquivos estaduais, sem duplicar o arquivo nacional, e cruzamos cada candidatura por estado, cargo, número e nome com a lista de signatários. A situação de eleito é a informada pelo TSE e pode ser revista em caso de recontagem ou decisão judicial.

Partidos seguem o registro de candidatura. A síntese da Carta é editorial; a íntegra está publicada no site. Esta reportagem não avalia a atuação passada dos eleitos e não atribui a eles posições que não estejam no documento assinado.

20 perguntas sobre a bancada do serviço público

01

Quantos candidatos do Pacto foram eleitos em 2026?

Dezesseis das 57 candidaturas signatárias da Carta-Compromisso foram eleitas no 1º turno de 4 de outubro de 2026, segundo o TSE.

02

Quais cargos os eleitos vão ocupar?

Seis são deputados federais e dez são deputados estaduais. Nenhuma candidatura signatária ao Senado ou a governo foi eleita.

03

Em quais estados estão os eleitos?

Minas Gerais (10), São Paulo (2), Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina (1 cada).

04

Quem foi o eleito mais votado?

Paula da Bancada Feminista (PSOL-SP), eleita deputada estadual com 326.190 votos. Entre os federais, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com 280.262.

05

Quantos votos os 16 eleitos somaram?

1.929.340 votos nominais no 1º turno, cerca de 33,7% dos 5.720.098 votos das 57 candidaturas signatárias.

06

De quais partidos são os eleitos?

Catorze do PT e dois do PSOL. A Carta foi aberta a candidaturas de qualquer partido.

07

O que é a Carta-Compromisso?

Um documento público com premissas sobre direitos constitucionais, direitos sociais e direitos dos servidores, assinado pelas candidaturas antes da eleição. Leia a íntegra.

08

O que os eleitos prometeram sobre estabilidade?

Lutar contra projetos de reforma administrativa que tenham por objetivo retirar a estabilidade dos servidores e permitir perseguição política e ideológica.

09

E sobre salários?

Atuar pela recomposição das perdas inflacionárias e pela instituição de mesas permanentes de negociação entre governo e servidores.

10

O que a Carta diz sobre aposentados?

Defende a paridade entre ativos, aposentados e pensionistas e a aprovação da PEC 6/2024.

11

A Carta tem efeito jurídico?

Não. É um compromisso político público. Seu valor está em permitir a comparação entre o que foi assinado e os votos registrados nos mandatos.

12

Seis deputados federais conseguem barrar uma PEC?

Sozinhos, não. Uma PEC precisa de 308 votos em dois turnos na Câmara; seis cadeiras são 1,2% das 513. O peso está na articulação, em emendas, destaques e relatorias.

13

Por que Minas Gerais concentra tantos eleitos?

O estado reuniu 37 das 57 candidaturas signatárias, acompanhando a atuação das entidades fundadoras do Pacto.

14

Quando começam os mandatos?

Em fevereiro de 2027, para a Câmara dos Deputados e para as Assembleias Legislativas.

15

O que significa ser eleito por quociente ou por média?

Quociente partidário é a vaga obtida diretamente pela votação do partido; média é a distribuição das sobras. Os dois caminhos dão mandato pleno. Treze foram eleitos por quociente e três por média.

16

Os resultados podem mudar?

Sim. A situação informada pelo TSE pode ser revista em caso de recontagem ou decisão judicial. A reportagem usa os arquivos gerados em 05/10/2026.

17

Como acompanhar os votos dos eleitos?

Pelos dados abertos da Câmara e pelos portais de transparência de cada Assembleia Legislativa. O Pacto também pretende acompanhar votações sobre servidores.

18

O Pacto apoia algum candidato no segundo turno?

Não. O Pacto publica um comparativo apartidário em 16 temas, com critérios abertos, e não pede voto.

19

Quem está por trás do Pacto?

Entidades representativas de servidores e candidaturas signatárias. Idealização, análise, metodologia e desenvolvimento são da Agência Communicare. Veja Sobre o Pacto.

20

Onde encontrar o perfil de cada eleito?

Na lista desta reportagem, cada nome leva ao perfil da candidatura no site do Pacto, com o resultado oficial do TSE.

Para aprofundar

O tema não termina nesta matéria

#BancadaDoServiçoPúblico#CartaCompromisso#Eleições2026#Câmara#Assembleias#ServiçoPúblico

Sobre a autora

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Com sede em Belo Horizonte (MG) e atuação nacional, a Communicare reúne especialistas em comunicação política e sindical, marketing eleitoral e gestão pública. A agência é responsável pela idealização e pelo desenvolvimento do Pacto pelo Serviço Público, além da análise e da metodologia editorial apresentadas nesta matéria.

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