Serviço público

Senado aprova adicional de fronteira de R$ 191 e amplia direito a INSS, Funai e professores federais

Texto da MP 1.375/2026 eleva a indenização de R$ 91 para R$ 191 por dia em 2027, primeiro reajuste desde 2013, e acrescenta 11 grupos de servidores. Vai à sanção com risco de vetos.

Por , diretor responsável do Pacto Publicado em 8 min de leitura
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Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (Paraguai), com ônibus e carros na travessia
Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (Paraguai), com ônibus e carros na travessia. Foto: Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR). Foto de arquivo. Foto: Rodrigo Yoshioka, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
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Jornalismo do Pacto pelo Serviço Público

Nesta matéria

O que o Senado aprovou

R$ 91 → R$ 191

por dia de efetivo trabalho a partir de 1º de janeiro de 2027: primeiro reajuste desde a criação do adicional, em 2013, segundo a Presidência do Senado e a Agência Senado.

O Senado aprovou nesta quarta-feira (28), Dia do Servidor Público, o Projeto de Lei de Conversão da MP 1.375/2026. O texto amplia as carreiras federais com direito ao adicional de fronteira e segue para sanção do presidente Lula.

  • Votação: simbólica, sem contagem nominal de votos, na Câmara (27) e no Senado (28).
  • Relator: senador Eduardo Gomes (PL-TO).
  • Prazo: a MP perderia a validade na sexta-feira (30).
  • Origem: MP editada pelo governo em 3 de julho, com alcance menor; no Congresso, virou um texto de quatro capítulos, segundo a CNN Brasil.

Divergência entre fontes oficiais: a Agência Câmara informou em 27/10 que o valor “continuará sendo de R$ 91”. Presidência do Senado, Agência Senado (relatório da comissão), CNN e Folha registram R$ 191 a partir de 2027. O Pacto adota R$ 191, versão do relatório aprovado, e confirmará no texto sancionado.

O que é o adicional de fronteira

Criado pela Lei nº 12.855/2013, o adicional é uma indenização paga a servidores federais lotados em municípios definidos como estratégicos no combate a delitos transfronteiriços.

  • Pagamento: por dia de efetivo trabalho; não é devido nos dias sem prestação de trabalho previstos em lei.
  • Natureza: indenização, não incorpora ao salário.
  • Jornada: o valor equivale a 8 horas diárias e é ajustado proporcionalmente.
  • Municípios: definidos por ato do Executivo, pelos critérios de fronteira e dificuldade de fixação de servidores.

O que já mudou em 2026: a Lei nº 15.367/2026, de março, já havia estendido o benefício a Ibama, ICMBio, Serviço Florestal, Anvisa e Abin. A MP de julho acrescentou analistas técnicos na PF, PRF e Receita e a auditoria da CGU.

Dados interativos

Quem tem direito ao adicional de fronteira, por etapa

Tabela com 23 carreiras ou órgãos: 10 já previstos em lei, 2 incluídos pela MP e 11 acrescentados pelo Congresso, aguardando sanção.

Clique no cabeçalho para ordenar.

Quem tem direito ao adicional de fronteira, por etapa
Polícia Federal (carreira e plano de cargos)Lei 12.855/2013Em vigor
Polícia Rodoviária Federal (carreira e plano de cargos)Lei 12.855/2013Em vigor
Auditoria da Receita FederalLei 12.855/2013Em vigor
Plano Especial de Cargos da FazendaLei 12.855/2013Em vigor
Fiscal federal agropecuárioLei 12.855/2013Em vigor
Auditoria-fiscal do trabalhoLei 12.855/2013Em vigor
Técnicos de fiscalização agropecuária (PCTAF)Lei 15.367/2026Em vigor
Especialista em meio ambiente e PECMA (Ibama/ICMBio)Lei 15.367/2026Em vigor
Anvisa (carreiras e plano especial)Lei 15.367/2026Em vigor
AbinLei 15.367/2026; redação da MPEm vigor
Analista técnico do Executivo na PF, PRF e ReceitaMP 1.375/2026Em vigor pela MP; depende da sanção
Auditoria federal de finanças e controle (CGU)MP 1.375/2026Em vigor pela MP; depende da sanção
Peritos criminaisCongresso (PLV)Aguarda sanção
FunaiCongresso (PLV)Aguarda sanção
PGPE na fiscalização agropecuáriaCongresso (PLV)Aguarda sanção
Magistério federalCongresso (PLV)Aguarda sanção
Técnico-administrativos em educaçãoCongresso (PLV)Aguarda sanção
Servidores e empregados dos ex-territóriosCongresso (PLV)Aguarda sanção
Policiais civis dos antigos territóriosCongresso (PLV)Aguarda sanção
INSS (carreira do seguro social)Congresso (PLV)Aguarda sanção
Agências reguladoras federaisCongresso (PLV)Aguarda sanção
SuframaCongresso (PLV)Aguarda sanção
Sistema Penitenciário FederalCongresso (PLV)Aguarda sanção

Quem já recebia, quem a MP incluiu e quem o Congresso acrescentou

3 etapas

o adicional cresceu em 2026: lei de março, MP de julho e texto aprovado pelo Congresso em outubro. Levantamento do Pacto na legislação.

  • Lei original (2013): Polícia Federal, PRF, Auditoria da Receita, planos de cargos da PF, PRF e Fazenda, fiscais federais agropecuários e auditores-fiscais do trabalho.
  • Lei 15.367 (mar./2026): técnicos de fiscalização agropecuária (PCTAF), Ibama/ICMBio/Meio Ambiente, Anvisa e Abin.
  • MP 1.375 (jul./2026): analistas técnicos do Executivo na PF, PRF e Receita, auditoria federal de finanças e controle (CGU) e nova redação para Abin.
  • Congresso (out./2026): peritos criminais, Funai, PGPE na fiscalização agropecuária, magistério federal, técnico-administrativos em educação, servidores e empregados dos ex-territórios, policiais civis dos antigos territórios, INSS, agências reguladoras, Suframa e Sistema Penitenciário Federal.

Atenção: a inclusão não garante pagamento automático. O servidor precisa estar em exercício em município estratégico, e a lista ainda será publicada.

Mudança de regra: pelo texto, quem está no município estratégico não precisa comprovar atuação direta em campo, fiscalização externa ou repressão. Órgãos na mesma cidade não podem ter tratamento diferente, segundo a Agência Senado.

O Sinagências, sindicato das agências reguladoras, lembra que servidores da Anvisa já recebiam o benefício; a novidade é a extensão às demais agências.

O texto amplia o mapa de municípios estratégicos, segundo a Agência Senado:

  • Amazônia Legal: municípios podem entrar mesmo fora da faixa de fronteira, pela dificuldade de fixar servidores.
  • Quem define: o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) elabora e divulga a lista.
  • Presídios federais: unidades na fronteira ou na Amazônia Legal passam a ter atuação estratégica permanente.
  • Deslocamentos: o adicional pode ser pago em operações, missões e atividades temporárias nesses municípios.
  • Acúmulo: pode somar com diárias, mas não com outra indenização semelhante.

O relator Eduardo Gomes, na comissão mista em 1º de setembro: “Se o município é estratégico, o adicional de fronteira é direito de todos os servidores que nele atuam, sem distinção de órgão ou carreira. O Estado brasileiro só se faz presente onde o servidor está atuando.”

O que mais o texto muda para servidores

O Congresso incluiu temas que não estavam na MP original. Segundo a Agência Senado, o relator acolheu total ou parcialmente 34 das 40 emendas:

  • Ex-territórios: reabre a opção pelos quadros em extinção da União (EC 79/2014 e 98/2017) para Acre, Amapá, Roraima e Rondônia; técnicos em educação do Amapá, Roraima e Rondônia podem ser enquadrados como técnico-administrativos.
  • Receita Federal: recursos do Fundaf podem custear saúde de servidores, aposentados, pensionistas e dependentes.
  • Cargos transversais: engenheiros, arquitetos, economistas, estatísticos e geólogos ficam lotados no MGI, com exercício descentralizado.
  • Banco Central: exigência de nível superior para técnico.
  • Militares do DF: auxílio-moradia estendido a pensionistas.
  • CVM: 254 cargos vagos de agente administrativo da Fazenda viram 50 de inspetor federal do mercado de capitais, sem aumento de despesa.
  • Retroativos: a Agência Câmara informa que o texto valida pagamentos retroativos para certas categorias.

O que se sabe sobre o custo

≈ R$ 1 bilhão

é o custo só do reajuste até 2028, sem contar as novas carreiras, segundo nota técnica do governo obtida pela Folha de S.Paulo.

  • MP original: extensão estimada em R$ 2,99 milhões até 2028, segundo a Folha.
  • Texto final: custo total não calculado no relatório da Câmara nem do Senado.
  • Governo: a área econômica vê risco orçamentário, e a expectativa relatada é de vetos aos trechos incluídos pelo Congresso.

Cálculo do Pacto: em um mês hipotético com 22 dias de trabalho no município estratégico, a indenização por servidor passa de R$ 2.002 para R$ 4.202. É uma simulação; o valor real depende dos dias efetivamente trabalhados.

O Pacto não estima o custo total, porque não há dados públicos de quantos servidores estão lotados em cada município nem a lista final de municípios.

Dados interativos

Tramitação da MP 1.375/2026

Clique no cabeçalho para ordenar.

Tramitação da MP 1.375/2026
02/09/2013Lei 12.855 cria o adicional de R$ 91
30/03/2026Lei 15.367 estende a Ibama, ICMBio, Anvisa e Abin
03/07/2026MP 1.375 inclui analistas técnicos e auditoria da CGU
01/09/2026Comissão mista aprova PLV com R$ 191 e novas carreiras
27/10/2026Câmara aprova o PLV em votação simbólica
28/10/2026Senado aprova em votação simbólica
A definirSanção ou vetos e publicação no DOU
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa, com senadores nas bancadas
Plenário do Senado Federal. Imagem ilustrativa, foto de arquivo; não é da sessão de 28/10/2026. Foto: Agência Senado · CC BY 2.0

Por que a medida importa para o serviço público

Na fronteira e na Amazônia, o Estado só existe quando há servidor no posto. É ele quem fiscaliza cargas, controla produtos agropecuários, atende no INSS, dá aula na escola federal e protege terras indígenas.

  • 13 anos sem reajuste: os R$ 91 estão na lei desde 2013.
  • Rotatividade: postos remotos perdem servidores com frequência; cada vaga aberta é fiscalização ou atendimento a menos.
  • Isonomia: quem trabalha na mesma cidade estratégica enfrenta as mesmas condições, seja da Receita, da Funai ou de uma universidade.
  • Soberania: combate a contrabando, tráfico e crimes ambientais depende de equipes fixas.
  • Atendimento: a população dessas regiões tem direito ao mesmo serviço oferecido nas capitais.

O que acontece agora

  • 1. Sanção: o presidente tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar trechos; vetos voltam ao Congresso.
  • 2. Publicação: a lei só vale após sair no Diário Oficial da União.
  • 3. Lista do MGI: relação de municípios estratégicos, incluindo a Amazônia Legal.
  • 4. Pagamento: órgãos operacionalizam; R$ 191 só é devido a partir de janeiro de 2027.

O Pacto acompanhará a sanção, eventuais vetos e a publicação da lista de municípios, e atualizará esta reportagem com data.

Glossário

  • Medida provisória (MP): norma com força de lei editada pelo presidente, válida por até 120 dias; perde eficácia se não for aprovada.
  • Projeto de Lei de Conversão (PLV): versão da MP alterada pelo Congresso; vai à sanção como projeto de lei.
  • Município estratégico: cidade definida pelo Executivo onde o adicional é devido.
  • Indenização: valor que compensa uma condição de trabalho e não se incorpora ao salário.

Como esta reportagem foi apurada

  • Legislação: Lei 12.855/2013 em versão atualizada, Lei 15.367/2026 e texto original da MP 1.375/2026.
  • Congresso: ficha da MP, nota da Presidência do Senado (28/10, 19h23) e Agências Senado (01/09 e 28/10) e Câmara (27/10).
  • Imprensa: CNN Brasil e Folha de S.Paulo (28/10). Sindical: Sinagências.
  • Levantamento próprio: quadro das três etapas de ampliação e simulação mensal, elaborados pelo Pacto a partir da legislação.
  • Consulta: 28 e 29/10/2026.

Limites: o autógrafo final enviado à sanção não foi publicado em texto consolidado até esta apuração. A Agência Câmara diverge das demais fontes sobre o valor; a reportagem será atualizada após a sanção.

Fontes consultadas

Perguntas frequentes

01

Qual será o valor do adicional de fronteira?

R$ 191 por dia de efetivo trabalho a partir de 1º de janeiro de 2027, segundo o relatório aprovado e a Presidência do Senado. Até lá vale R$ 91. A Agência Câmara informou manutenção de R$ 91; o valor final será confirmado no texto sancionado.

02

Quem passa a ter direito?

O Congresso incluiu peritos criminais, Funai, PGPE na fiscalização agropecuária, magistério federal, técnico-administrativos em educação, ex-territórios, policiais civis dos antigos territórios, INSS, agências reguladoras, Suframa e Sistema Penitenciário Federal. A MP já havia incluído analistas técnicos na PF, PRF e Receita e a auditoria da CGU.

03

Abin e Anvisa são novidade?

Não. Abin e Anvisa entraram pela Lei 15.367, de março de 2026. A MP deu nova redação ao trecho da Abin.

04

Preciso comprovar trabalho em campo?

Pelo texto aprovado, não. Basta estar em exercício em unidade localizada em município estratégico, sem tratamento diferente entre órgãos na mesma cidade.

05

A mudança já está valendo?

Não. Depende de sanção, publicação no Diário Oficial e da lista de municípios do MGI. Trechos podem ser vetados.

06

Quanto vai custar?

O custo total não foi calculado. Só o reajuste custa cerca de R$ 1 bilhão até 2028, sem as novas carreiras, segundo nota técnica citada pela Folha de S.Paulo.

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