Urna eletrônica: entenda o funcionamento e a segurança do voto
Entenda como a urna registra votos, preserva o sigilo e permite fiscalização por boletins, testes e arquivos públicos, além dos cuidados para o segundo turno de 2026.
Atualização editorial: (Brasília).

Reportagem e análise · Agência Communicare
Nesta matéria
01 · COMO FUNCIONA
Como a urna registra e permite conferir a votação
A urna eletrônica registra os votos e apura o resultado de cada seção eleitoral sem conexão à internet durante a votação. Depois do encerramento dos trabalhos, emite o Boletim de Urna (BU), com os totais registrados, antes de os arquivos de resultado serem encaminhados para totalização. São etapas distintas: votar, apurar na seção, transmitir os resultados e reunir os dados da eleição.
A segurança desse processo depende de mecanismos técnicos e procedimentos de fiscalização, não de uma característica isolada do equipamento. Assinaturas digitais, testes, inspeção dos programas e comparação de documentos oferecem diferentes possibilidades de controle. Entender o alcance de cada uma ajuda a distinguir evidências verificáveis de promessas de invulnerabilidade. Esta revisão, de autoria da Agência Communicare, apresenta o funcionamento do sistema e as orientações pertinentes ao segundo turno de 2026.

02 · SEM INTERNET
Equipamento sem internet, operação com várias etapas
A votação eletrônica começou a ser implantada no Brasil em 1996. O equipamento foi desenvolvido especificamente para uso eleitoral, com terminal do mesário e terminal do eleitor. A informatização modificou a apuração, antes dependente da leitura e contagem manual de cédulas, mas não dispensou organização administrativa, fiscalização ou procedimentos para enfrentar falhas.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a urna não utiliza conexões de internet, Wi-Fi ou Bluetooth para receber votos. Esse desenho reduz a exposição a ataques remotos durante a votação. Não significa, porém, que toda a infraestrutura eleitoral opere fora de redes: a transmissão posterior dos arquivos ocorre em equipamentos e canais autorizados, separados da urna. Preparação, transporte, guarda e operação também envolvem pessoas e controles institucionais.
A análise sobre integridade, transparência e dirigentes detalha como esses temas aparecem nos compromissos do segundo turno.
03 · PASSO A PASSO
Da identificação à confirmação do voto
Na seção, o eleitor apresenta documento e passa pela identificação antes de ser habilitado a votar. O e-Título pode substituir o documento de identificação quando contém fotografia; sem foto, é necessário apresentar documento oficial com foto. A ausência de biometria cadastrada, por si só, não impede o voto de quem está com a inscrição regular.
Na cabine, o eleitor digita o número e confere os dados apresentados na tela. Se houver erro, deve pressionar CORRIGE antes de confirmar. A tecla CONFIRMA conclui a escolha daquele cargo; depois disso, não é possível refazer o voto já confirmado. A mensagem FIM indica que a sequência foi concluída. No segundo turno, não há voto de legenda: a escolha é entre os candidatos habilitados à disputa. Uma colinha em papel ajuda a organizar os números sem recorrer ao celular.
- 01
Identificação
Apresente documento admitido e aguarde a habilitação pela mesa.
- 02
Preparação
Deixe celular e equipamentos semelhantes no local indicado; leve a colinha em papel.
- 03
Conferência
Digite o número e confira os dados. Use CORRIGE se houver erro.
- 04
Confirmação
Pressione CONFIRMA para concluir o voto daquele cargo.
- 05
Conclusão
Aguarde a mensagem FIM após completar a sequência de votação.
Fonte oficial consultada em 14/10/2026 · Síntese normativa, não pesquisa estatística. Consulte o texto e as regras do órgão.

04 · VOTO SECRETO
Sigilo: identificação não é rastreamento da escolha
O voto secreto é uma garantia da Constituição. A identificação na mesa serve para verificar quem está autorizado a votar, não para registrar sua preferência política. A biometria integra essa identificação e não revela em quem o eleitor votou. É importante separar o controle de comparecimento do registro das escolhas feitas na cabine.
O Registro Digital do Voto (RDV) guarda os votos sem associação com a identidade dos eleitores e sem reproduzir sua ordem de comparecimento. Esses arquivos são disponibilizados publicamente de forma anonimizada para fiscalização. A proteção também exige cuidados no ambiente físico: celulares, câmeras e equipamentos semelhantes não podem ser levados à cabine e devem permanecer no local indicado pela mesa. A restrição procura impedir registros que facilitem compra de votos ou coação.
05 · DOCUMENTOS DA SEÇÃO
Zerésima, boletim e registro digital têm funções diferentes
Antes de começar a votação, a mesa emite a zerésima, documento que apresenta a ausência de votos registrados para os candidatos naquela urna. Ao final dos trabalhos, o BU informa os totais por candidato, os votos brancos e nulos e outros dados da seção. Uma via fica disponível no local para consulta pública.
O encerramento não ocorre automaticamente às 17h: quem chega dentro do horário e permanece na fila tem direito a votar. Só depois de concluído o atendimento e realizados os procedimentos de encerramento é emitido o boletim. O cidadão pode fotografar o BU afixado e compará-lo com a versão divulgada pela Justiça Eleitoral. Essa comparação verifica a correspondência entre o resultado da seção e o publicado, sem identificar escolhas individuais.
| Registro | Função | Limite |
|---|---|---|
| Zerésima | Apresenta a ausência de votos registrados antes da abertura. | Não substitui os controles posteriores. |
| Boletim de Urna | Apresenta os totais apurados na seção. | Não identifica a escolha de cada eleitor. |
| Registro Digital do Voto | Permite verificações sobre os votos registrados de forma anonimizada. | Não associa voto a identidade ou ordem de comparecimento. |
| Log da urna | Registra eventos de operação do equipamento. | Exige interpretação técnica e contextual. |
Fonte oficial consultada em 14/10/2026 · Síntese normativa, não pesquisa estatística. Consulte o texto e as regras do órgão.

06 · TRANSMISSÃO
Transmissão e totalização fora da urna
Encerrada a votação, os arquivos de resultado são extraídos para encaminhamento aos sistemas da Justiça Eleitoral. A transmissão acontece fora da urna, por infraestrutura autorizada. A totalização reúne os resultados das seções para calcular o resultado da disputa; não corresponde a uma nova votação nem exige conectar o terminal do eleitor à internet.
Assinaturas digitais e verificações de integridade permitem conferir a origem dos arquivos e detectar alterações. Esses controles devem ser entendidos junto com o BU, os registros operacionais e os procedimentos de recebimento. Não é adequado descrever toda a rede como completamente isolada da internet, nem atribuir indistintamente os certificados à ICP-Brasil. Também seria incorreto dizer que o processo prescinde de intervenção humana: equipes operam a logística e tratam ocorrências conforme as regras eleitorais.
- 01
Atendimento da fila
Conclui-se a votação de quem chegou dentro do horário.
- 02
Encerramento
A mesa realiza os procedimentos e a urna emite o BU.
- 03
Encaminhamento
Os arquivos de resultado são levados ao ponto autorizado de transmissão.
- 04
Recepção e totalização
Os sistemas verificam os arquivos e reúnem os resultados das seções.
- 05
Conferência pública
O boletim divulgado pode ser comparado com o impresso na seção.
Fonte oficial consultada em 14/10/2026 · Síntese normativa, não pesquisa estatística. Consulte o texto e as regras do órgão.

07 · FISCALIZAÇÃO
Testes e fiscalização antes, durante e depois
A Justiça Eleitoral oferece mecanismos de inspeção dos sistemas, testes públicos de segurança e cerimônias de assinatura digital e lacração. Nos testes, participantes habilitados procuram vulnerabilidades dentro do escopo previsto. Os achados subsidiam correções e novas verificações. Esse procedimento não constitui uma certificação de impossibilidade de falhas, mas uma oportunidade organizada de identificar problemas e avaliar respostas.
No dia da eleição, o teste de integridade confronta votos de uma votação de teste com o resultado produzido por equipamentos selecionados. Partidos, Ministério Público, OAB e outras entidades habilitadas podem exercer fiscalização conforme as normas aplicáveis. Depois, boletins, RDV e arquivos de log permitem análises complementares. Os logs registram eventos de operação; sua interpretação requer contexto técnico e não comprova, sozinha, a ausência ou existência de irregularidades.
O guia completo sobre como votar no segundo turno de 2026 reúne documentos aceitos e orientações práticas para o dia da votação.
| Ator | Atuação prevista |
|---|---|
| Partidos e coligações | Credenciam fiscais para acompanhar testes públicos, votação, apuração e totalização. |
| Ministério Público Eleitoral | Acompanha testes de segurança e procedimentos, podendo apurar denúncias de irregularidades. |
| Entidades técnicas habilitadas | Participam dos testes públicos de segurança dentro do escopo definido pelo TSE. |
| Eleitor | Acompanha a votação na seção e pode conferir o Boletim de Urna afixado no local. |
Fonte: TSE, Urna Eletrônica - informações institucionais · Síntese normativa, não pesquisa estatística. Consulte o texto e as regras do órgão.

08 · SEGUNDO TURNO 2026
O que observar no segundo turno de 2026
O primeiro turno ocorreu em 4 de outubro. O segundo está marcado para 25 de outubro de 2026, das 8h às 17h no horário de Brasília em território nacional — no Acre, das 6h às 15h locais. No exterior, a votação ocorre das 8h às 17h no horário local. Conforme o levantamento consultado baseado no TSE em 8 de outubro de 2026, há disputa presidencial e segundo turno para governador em Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Esse é um recorte datado, não uma atualização em tempo real. Consulte local e situação eleitoral no autoatendimento do TSE. O cadastro fechou em 6 de maio: não é possível transferir a inscrição ou regularizar um título cancelado agora para votar em 25 de outubro. Pagar multa não reativa automaticamente a inscrição. Orientações editoriais estão reunidas em segundo turno.

09 · ANÁLISE COMMUNICARE
Análise Communicare: fiscalização é uma cadeia de controles, não uma prova única
Zerésima, Boletim de Urna, arquivos de votação e inspeção técnica documentam etapas diferentes. A zerésima informa o estado inicial; o boletim registra o resultado da seção; a totalização agrega registros. Comparar um boletim ao resultado divulgado não responde à mesma pergunta que examinar software ou acompanhar um teste de integridade.
A Agência Communicare defende uma cobertura que nomeie o controle e a verificação possível em cada etapa. Isso permite apurar ocorrências concretas sem confundir suspeita, evidência e conclusão. A análise territorial usa registros oficiais agregados e datados, não dados capazes de revelar escolhas individuais. A cobertura eleitoral deve preservar essa distinção: capacidade técnica e transparência se demonstram com documentação e fiscalização.

10 · FONTES
Fontes e referências
A Constituição Federal fundamenta o voto secreto. A Lei das Eleições disciplina o sistema eletrônico e a fiscalização. O Código Eleitoral reúne regras sobre a organização da votação e o atendimento de eleitores presentes no horário de encerramento.
As explicações técnicas têm como referência o portal do TSE sobre urna eletrônica. Para calendário e orientações do pleito, consulte Eleições 2026. A situação da inscrição e o local de votação podem ser consultados no Autoatendimento Eleitoral; as condições de uso do aplicativo estão na página do e-Título. Esses canais cumprem funções diferentes: informação geral não substitui a consulta individual ao cadastro.
Perguntas frequentes
01A urna fica conectada à internet enquanto recebe votos?
Não. A urna recebe e apura votos sem conexão à internet e não utiliza Wi-Fi ou Bluetooth. A transmissão posterior dos resultados ocorre fora dela, em infraestrutura autorizada. Essa separação reduz a exposição a ataques remotos durante a votação.
02O que devo conferir antes de apertar CONFIRMA?
Confira o cargo, o número e os dados do candidato apresentados na tela. Se não corresponderem à sua escolha, use CORRIGE e digite novamente. Só confirme depois dessa verificação, pois o voto confirmado para aquele cargo não pode ser alterado.
03Posso mudar um voto depois de confirmar?
Não é possível voltar ao cargo cujo voto já foi confirmado. A correção deve ocorrer enquanto a escolha ainda está na tela, antes de CONFIRMA. Ao terminar todos os cargos disponíveis, a urna apresenta a mensagem FIM.
04A biometria permite descobrir em quem votei?
Não. A biometria é utilizada para identificar o eleitor e habilitar sua participação. O registro das escolhas não associa os votos à identidade de quem compareceu. Identificação eleitoral e conteúdo do voto cumprem funções distintas no sistema.
05Quem não cadastrou biometria pode votar?
A falta de biometria cadastrada não impede, por si só, a votação. É necessário que a inscrição esteja regular e que o eleitor apresente documento admitido para identificação. Consulte previamente sua situação no autoatendimento da Justiça Eleitoral.
06O e-Título substitui o documento com foto?
Sim, quando o aplicativo apresenta a fotografia do eleitor. Se o e-Título não tiver foto, será necessário levar documento oficial com fotografia para identificação na seção. O aplicativo deve ser apresentado à mesa, não utilizado na cabine.
07Posso usar o celular como colinha na cabine?
Não. O celular não pode ser levado à cabine, mesmo que seja usado apenas para consultar números. Prepare uma colinha em papel e deixe o aparelho no local indicado pela mesa antes de votar.
08O que a zerésima informa?
A zerésima é emitida antes do início da votação e apresenta a ausência de votos registrados para os candidatos naquela urna. Ela integra os procedimentos de abertura da seção, mas não substitui os controles realizados durante e depois da votação.
09O Boletim de Urna mostra o voto de cada pessoa?
Não. O BU apresenta resultados agregados da seção, como totais por candidato, votos brancos e nulos. Ele não relaciona nomes de eleitores às escolhas feitas e não funciona como um comprovante individual do conteúdo do voto.
10Como posso comparar o boletim impresso com o resultado divulgado?
Fotografe ou anote os dados do BU afixado na seção e compare com o boletim correspondente disponibilizado pela Justiça Eleitoral. Verifique se eleição, turno, zona e seção são os mesmos antes de avaliar qualquer diferença.
11A urna encerra a votação automaticamente às 17h?
Não. O horário limita a chegada dos eleitores, mas quem estiver na fila dentro do prazo deve ser atendido. O encerramento e a emissão do boletim acontecem depois que esses eleitores votam e a mesa conclui os procedimentos.
12Como os resultados chegam à totalização?
Os arquivos produzidos após o encerramento são encaminhados para transmissão por equipamentos e canais autorizados, fora da urna. Os sistemas verificam sua autenticidade e integridade. A totalização reúne os resultados das seções para calcular o resultado da eleição.
13O que é o Registro Digital do Voto?
O RDV é o arquivo que registra digitalmente os votos sem associá-los à identidade dos eleitores ou à ordem de comparecimento. Sua disponibilização pública anonimizada permite verificações técnicas, preservando a separação entre participação eleitoral e escolha individual.
14Para que servem os arquivos de log?
Os logs registram eventos de funcionamento da urna e ajudam a reconstruir sua operação. A análise pode esclarecer ocorrências, mas exige conhecimento técnico e comparação com outros registros. Um evento isolado não demonstra automaticamente fraude ou ausência de problemas.
15O teste público de segurança comprova que nunca haverá falhas?
Não. O teste busca identificar vulnerabilidades dentro de condições e escopo definidos. Seus resultados orientam correções e verificações posteriores. Ele integra um conjunto de controles, sem constituir promessa de invulnerabilidade do equipamento ou de todo o processo eleitoral.
16Qual é a diferença entre teste de integridade e votação comum?
No teste de integridade, equipamentos selecionados recebem votos de teste que podem ser confrontados com o resultado apurado. Na votação comum, as escolhas são secretas. O teste não busca descobrir o voto real de nenhum eleitor.
17Qualquer cidadão pode inspecionar o código-fonte diretamente?
A inspeção institucional segue regras de acesso e credenciamento de entidades fiscalizadoras e seus representantes técnicos. Ela difere da consulta pública aos boletins e arquivos divulgados. O cidadão pode acompanhar informações oficiais e conferir os resultados publicados de sua seção.
18Qual é o horário do segundo turno de 2026?
Em 25 de outubro, a votação no Brasil ocorre das 8h às 17h pelo horário de Brasília. No Acre, isso corresponde a 6h às 15h locais. Nas seções do exterior, vale o intervalo das 8h às 17h no horário local.
19Posso regularizar um título cancelado agora para votar no segundo turno?
Não para votar em 25 de outubro de 2026. O cadastro eleitoral fechou em 6 de maio. As consultas continuam disponíveis, mas pagar uma multa não reativa automaticamente a inscrição cancelada nem substitui os procedimentos de regularização.
20Votos brancos e nulos são repassados a algum candidato?
Não. Brancos e nulos não são transferidos e não entram no cálculo dos votos válidos. No segundo turno, vence quem obtém mais da metade dos votos válidos. Esses votos inválidos não anulam a eleição por atingirem determinada proporção.
Sobre a autora
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Com sede em Belo Horizonte (MG) e atuação nacional, a Communicare reúne especialistas em comunicação política e sindical, marketing eleitoral e gestão pública. A agência é responsável pela idealização e pelo desenvolvimento do Pacto pelo Serviço Público, além da análise e da metodologia editorial apresentadas nesta matéria.
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